terça-feira, 6 de outubro de 2009

A Filosofia e o "Problema do mundo Externo" - Parte I

O famoso Problema do Mundo Externo é um dos mais interessantes e difíceis problemas da Filosofia. Sua origem exata me é desconhecida, porém acredito que é em René Descartes (1596-1650) que encontra sua mais clássica formulação. Desde então, tornou-se um problema central do que hoje é denominado Epistemologia. Sua enunciação mudou conforme o tempo, bem como as possíveis respostas ao problema. Pretendo aqui fazer uma breve exposição do problema e expor algumas interessantes soluções que certos filósofos proporam.

Antes de qualquer coisa, devo esclarecer o que quero dizer por "Problema do Mundo Externo". Ora, com essa expressão pretendo apontar para a seguinte dúvida:

(1) Posso fazer uma divisão drástica do meu "eu" em dois elementos: (a) Os meus sentidos, compreendidos aqui como todas as sensações que a visão, a audição, o paladar, o olfato e o tato me provêem e (b) Meus pensamentos, crenças, emoções e coisas afins, que de alguma forma não estão relacionados com os elementos citados anteriormente.

(2) Posso duvidar que meus sentidos sejam verídicos. Com isso pretendo dizer que posso, de alguma maneira, supor que as coisas que vejo, os sons que sinto e, de uma forma geral, minhas sensações não sejam reais. Veremos mais adiante o que quero dizer por "serem reais".

(3) Como provar que a dúvida exposta em 2 é falsa? Como provar que os sentidos, os sons e as sensações de uma forma geral sejam de alguma maneira "reais"?

Ora, um leitor não precisa ser um gênio para responder: "É óbvio que o mundo é real! Se realmente achas que não há nada de real nos sentidos, por que não pulas de uma ponte?!". Contudo, gostaria de lembrá-lo que, se meditar por alguns momentos provavelmente irá perceber que não há nenhuma razão realmente racional para acreditar nos sentidos. Como você pode provar que na verdade não é um cérebro dentro de uma caixa? Que as sensações que agora mesmo recebe não sejam estímulos elétricos que simulam os sentidos? Percebe-se então a magnitude do problema, que em nada influirá na sua vida diária (espero) mas ainda assim persiste como um bom passatempo. Vejamos o que alguns filósofos dizem sobre isso.

Uma interessante (e contraituitiva solução) foi proposta por um filósofo irlandês chamado George Berkeley (1685-1753). Confesso aqui que Berkeley permanece como um de meus filósofos preferidos, ainda que eu não concorde em quase coisa alguma com o bispo irlandês. Pois bem, o que faz de Berkeley um filósofo tão interessante? Ora, este nega a materialidade do mundo. Uma tese ao mesmo tempo interessante e perturbadora. Já se pensou que bastava-se chutar uma pedra para refutar toda a resposta de Berkeley ao problema do mundo externo e o ceticismo. Porém, uma visão um pouco mais atenciosa em seu argumento pode fazer-nos facilmente mudar de idéia.

A argumentação de Berkeley se dá em seu Tratado sobre os Princípios do Conhecimento Humano. Ora, o grande insight deste filósofo consiste em notar que todas as supostas intuições do mudo externo se dão a partir das sensaçõs, que são fenômenos de natureza mental. Ora, então, não somos capazes de perceber o mundo fora daquilo que percebemos através dos sentidos. Logo, tudo aquilo que camamos de ser, é, em última instância, objeto dos sentidos. Daí a grande máxima de Berkeley: esse est percipi, ser é ser percebido. Portanto, a idéia de um mundo constituído por matéria e independente do observador não pode subsistir por si, visto que não há ser senão o ser percebido.

Uma grande dificuldade enfrentada por Berkeley são as consequencias de suas afirmações. Como as coisas permanecem a existir ainda que deiemos de percebê-las? Ora, utiliza-se o filósofo do artifício teórico de Deus. Sendo Deus uma mente onisciente, este é apaz de perceber a tudo, inclusive as outras mentes(as quais nós mesmos não somos capazes de perceber). Isso garantiria a existência estáveldas coisas no mundo, independente de estarmos ou não percebendo-as.
A conclusão da análise de Berkeley chega a nos levar à conclusão de que o mundo externo só poderia ser explicado satisfatoriamente, sem cairmos num solipcismo (isso é, sujeitos que acham que são as únicas mentes realmente pensantes no mundo) ou nas grras do ceticismo.

Nos próximos dias pretendo fazer uma exposição de outras respostas interessantes dos filósofos que se debruçaram neste curioso problema. Espero que tenha sido tão prazeroso ler quanto o foi escrever.

Abraços!

5 comentários:

  1. Gosto muito desse assunto, tomara que no próximo post vc fale do Mito da Caverna de Platão(acho q é dele)! Da medo!

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  2. Mito da caverna de platão!
    pelo amooor de deus menina!
    ééé muito chato vei :(
    tava estudando, e pensei que nunca ia acabar.
    aushuahsa
    :]

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  3. Eu acredito que percepção e sentido está mais relacionado em ação e reação do que propriamente um problema do mundo externo. Ora se vemos como o mundo é e que informações nossa massa cefálica recebe para interpretarmos as chamadas sensações, pq não acreditar que existe afinal um propósito não-estipulado para explicar a existência material.

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  4. Heitor, acho que podiam ter mais argumentos para demonstrar as falhas dos sentidos e mais clareza quanto ao que seja o real. Dá uma sacadinha no penúltimo parágrafo que tem uns errinhos de digitação.

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